In the Closet no Concept Fashion Design – Entrevista a Catarina Rito (Directora Geral)

Olá a todos!

Hoje venho partilhar convosco a entrevista do Blog by Bellucci feita a Catarina Rito, Directora Geral do Concept Fashion Design, evento que vai acontecer este fim-de-semana, dias 3 e 4 de Dezembro, no Hospital da Estrela em Lisboa.

O Concept Fashion Design é um evento cultural que começou a ser materializado em 2014, quando Catarino Rito e Nuno Carapinha se conheceram num projeto em que trabalharam juntos. Por diversas questões Catarina decidiu afastar-se desse projeto, e já tendo uma ideia formada sobre o que gostaria que fosse o Concept Fashion Design partilhou a ideia com o Nuno, pessoa com quem tinha gostado de trabalhar e que fazia todo o sentido incluir nesta ideia.

Como a própria refere as únicas questões eram: “a ideia eu tenho, eu sei o que quero, mas como é que concretizo isto, sobretudo quando não se tem dinheiro?”.

Catarina tinha a noção que para concretizar o projeto que tinha em mente precisava de algum dinheiro, dando os passos certos, não precisaria de muito, mas o investimento inicial teria que ser dado.

No final de 2014 registou a marca Concept Fashion Design em nome próprio, e juntamente com Nuno Carapinha criaram uma associação sem fins lucrativos para poder organizar este projeto mas também já a pensar em outras ideias.

No inicio de 2015 Catarina Rito e Nuno Carapinha começaram a definir e a criar as linhas mestras do evento, contataram algumas entidades públicas, nomeadamente a Câmara Municipal de Lisboa que deu logo o aval positivo e que ofereceu prontamente um espaço para a estreia, o Creative Hub, na Mouraria. O espaço ia ser inaugurado na altura, e a primeira edição do Concept Fashion Design (CFD) aconteceu no primeiro fim de semana a seguir à inauguração.

Nesta primeira edição estiveram presentes nomes tão conhecidos da moda em Portugal como Nuno Gama, Storytailers, como instalação e outros designers participaram nos micro-desfiles que aconteceram nesses dois dias.

A primeira edição conseguiu cumprir os objetivos básicos que tinham esperado atingir, entretanto por ser na Mouraria e o acesso só poder ser feito a pé devido à escassez de lugares de estacionamento, nesse fim-de-semana passaram no evento cerca de 1000 pessoas.

Em 2015, quando a ideia começou a estruturada o objetivo era que não acontecesse sempre em Lisboa, poderia sim começar em Lisboa, mas depois passaria por outras cidades. Em 2015, excepcionalmente as duas edições foram feitas em Lisboa, em Maio e em Novembro.

Catarina tinha uma ideia muito definida quanto aos espaços que gostaria de usar para fazer o CFD. Na sua perspectiva este evento faz todo o sentido ser feito em espaços decadentes ou industriais, “espaços não muito bonitinhos” como a própria refere. Para a edição de Novembro contataram a Santa Casa da Misericórdia que achou a ideia muito interessante por se tratar de um projeto cultural, não por ter moda mas sim por abranger várias formas de arte e disponibilizaram o Palácio Condes de Tomar que ia para obras. O local desta edição já sendo mais acessível conseguiu fazer com que cerca de 5000 pessoas passassem pelo CFD, havia pessoas que entravam mais do que uma vez, e vários estrangeiros inclusive.

O Dr. Pedro Santana Lopes, provedor da Santa Casa da Misericórdia esteve presente no evento e ficou bastante surpreendido do que ali estava a ser feito e transmitido ao publico.

Depois de Lisboa este certame já passou por Setúbal e depois Penafiel, através de um convite de última hora, não consideram uma edição, mas sim uma presença. O CFD foi tão bem recebido nestas duas cidades que já estão agendadas novas edições nas duas cidades para o ano de 2017.

A edição de Dezembro de 2016 que irá acontecer dos dias 3 e 4 vai ter lugar no Hospital da Estrela em Lisboa, mais uma vez com o apoio da Santa Casa da Misericórdia. Este espaço também entrará em obras para no futuro se tornar o maior hospital de cuidados paliativos de Lisboa. O CFD deste ano vai ocupar um dos pavilhões deste hospital que está desativado.

Todo o trabalho de organização do evento, pedidos de autorizações, contatos com os expositores, designers etc é feito exclusivamente pela Catarina e pelo Nuno, pessoa a quem Catarina atribui uma grande responsabilidade na existência do CFD, devido a todo o trabalho que ele desenvolve no projeto e à própria dinâmica que conseguiram criar entre eles, como a própria salienta “o Nuno é muitas vezes o grande motor deste projeto.” A esta equipa de duas pessoas, foram-se juntando algumas pessoas que gostaram tanto do projeto que trabalham com eles quer tenham dinheiro ou não.

O CFD não é nem tenciona ser uma concorrente dos principais eventos de moda em Portugal, nomeadamente o Portugal Fashion e a Moda Lisboa, é sim uma plataforma diferente que pretende dar oportunidade e visibilidade aos criadores das diversas áreas artísticas que de outra forma não conseguiriam mostrar o seu trabalho.

Nesta quinta edição do CFD no que respeita a criadores de moda vão estar presentes alguns nomes como Nelson Lisboa, Carlos Santos, Joan Anguini, Hugo Courinha, Isidro Paiva e Roselyn Silva.

Para além da moda vão também estar presentes outros artistas de áreas como fotografia, joalharia, pintura, escultura, ilustração e instalação.

O fim-de-sema vai ser de chuva, mas não percam esta edição do CFD. O acesso ao Hospital da Estrela em Lisboa é bastante simples tanto para quem for de transportes públicos, como para quem for de carro, existindo ainda estacionamento gratuito no local. As entradas são igualmente gratuitas.

Da minha parte foi um prazer conversar com a Catarina e saber como começou este projeto que se tornou tão interessante, inclusivo e multidisciplinar e que já faz parte da minha agenda.

Para mais informações basta seguir para a página oficial do evento:

www.conceptfashiondesign.pt

 

Vemo-nos lá amanhã!

 

Agradecimento especial pela cedência da entrevista:

Catarina Rito (Directora Geral do Concept Fashion Design)

Algumas imagens das edições anteriores:

With Love*

Tânia Sitoe

 

In the Closet com Djamila Monteiro

Olá!!

Hoje vou falar-vos de uma rapariga fantástica que tive o prazer de conhecer há uns dias atrás. Chama-se Djamila Monteiro, nasceu em Cabo Verde mas reside na Holanda desde pequena. Apesar de ter crescido na Europa é com orgulho que fala do seu país e das suas raízes. A entrevista que fiz com ela foi um momento poliglota engraçado onde falamos em português, inglês e também crioulo quando necessário.

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Foi durante a sessão fotográfica que a Djamila fez no estúdio do fotógrafo Luis Azevedo, em Lisboa, que eu tive a oportunidade de conhecer pessoalmente esta jovem modelo e fazer a entrevista que hoje partilho convosco.

Ao olhar para a ela vemos uma rapariga linda, com uma expressão forte e segura, mas que ao mesmo tempo transmite uma sensibilidade e simpatia contagiantes.

Sempre muito acessível e bem disposta Djamilia falou-me de como a moda sempre esteve presente na sua vida, mesmo antes de ela ter capacidade de perceber isso. Em criança nas suas brincadeiras de menina gostava de desenhar e fazer as roupas das suas bonecas. “As cores e os padrões dos tecidos que podia combinar e misturar sempre me fascinaram” refere lembrando a sua infância. Sem saber Djamila já estava a desenhar o seu futuro…

Começou a trabalhar na indústria da moda como modelo há mais de 10 anos, quando tinha 20. Dividia-se entre as passereles e as sessões fotográficas para vários clientes nacionais e internacionais.

Como modelo, ao desfilar ou fazer uma sessão fotográfica sente que se transforma, liberta-se e encarna a personagem, e adora essa vertente do seu trabalho.

Em 2013, a representar o seu país, Cabo Verde, no Concurso Miss Freedom Of The World, Djamila arrecadou o prémio de Miss Fotogenia. Este concurso de beleza internacional foi criado em 2011 no Kosovo, tendo a sua sede na cidade de Prístina. Todos os anos o certame reúne jovens delegadas de mais de 30 países de diferentes partes do mundo com o fim de coroar a mulher que melhor represente a liberdade mundial e a beleza da mulher livre.

Em 2010 seguindo a sua outra paixão, o design, Djamila decidiu aprender mais sobre essa arte. Fez um curso na área para aprender as técnicas de desenho e confecção e criou a sua própria marca, a Djamila Fashion em 2012.
Na sua marca faz questão de transmitir a sua cultura, e os padrões africanos estão presentes em quase todas as criações. De uma forma urbana e até um pouco futurista consegue criar uma simbiose perfeita entre a tradição e inconformismo rebelde de uma jovem que cresceu na Europa.

As suas criações podem ser adquiridas na Holanda na loja multimarca Luxe Sluis desde o passado mês de Setembro, mas também é possível fazer encomendas através do seu site, do facebook ou por e-mail, inclusive para Portugal.

Para o futuro apenas deseja saúde pois para a continuação da concretização dos seus sonhos sabe que depende só de si e do seu trabalho. Djamila considera-se acima de tudo uma pessoa feliz, que tem tudo o que precisa, e que acredita que a felicidade é feita exclusivamente por nós…

Da minha parte confesso adorei conhecê-la, pois apesar de tudo o que já alcançou é uma pessoa simples e dedicada às pessoas que trabalham com ela. Não a percam de vista, porque tenho a certeza que ainda vamos ouvir falar muito desta menina maravilhosa!!

 

“My dreams will come true, because I believe!”
Djamila Monteiro

 

A Djamila no Youtube:

https://www.youtube.com/channel/UCNN3znf_nlFW632_g35Eodg

https://www.youtube.com/user/djamilamonteiro/videos

 

Deixo-vos os contactos da Djamila para que possam conhecer e seguir o seu trabalho como modelo e designer.

Site:
www.djamilafashion.com

E-mail:
info@djamilafashion.com
djamilamonteiro7@gmail.com

Telefone:
+31 626 282 188

 

Loja Luxe Sluis

Morada: Kapellestraat 7 te sluis 4524 CW Sluis

Telefone:

+31 117 308 136

 

Fotografias gentilmente cedidas por:

Luis Filipe Azevedo (Fotógrafo I Like My Book)

https://www.facebook.com/ilikemybook?fref=ts

 

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With Love*

Tânia Sitoe

Solitude: a visão humana e humanista de Indi Nunez

Olá a todos!

Foi no passado dia 27 de Setembro que foi inaugurada a exposição de fotografia Solitude pelo jovem e talentoso fotógrafo Indi Nunez.

Tenho a felicidade de poder dizer que conheço o Indi Nunez há muitos anos, estudámos juntos no secundário. Depois desses três anos como colegas de escola, a vida levou-nos por caminhos diferentes; a faculdade, novos amigos, novos compromissos, ir viver para fora do país, tanto eu como ele… todos esses acontecimentos fizeram com que perdêssemos o contacto, e dez anos depois encontramo-nos, há dois meses sensivelmente. Ele reconheceu-me, disse-me que estava igual, o melhor elogio que qualquer mulher pode ouvir. Entretanto eu não o reconheci logo, devo isso a duas coisas, em primeiro lugar à minha péssima memória com caras e nomes, e em segundo lugar, porque aquele rapaz que conhecia tinha-se tornado num homem. Um homem com atitude, sereno mas sempre divertido, tatuado, com uma barba grande e cheia de estilo…mas o olhar era o mesmo, e foi assim que o reconheci…

Nestes dez anos que nada soube sobre o Indi ele cresceu, e eu também, ele encontrou-se na fotografia e eu na moda.

Nessa noite e nos outros dias que estive com ele enquanto preparava a exposição pude perceber que evolução bonita tinha tido o meu amigo, e confesso que fiquei muito feliz e orgulhosa pela pessoa em que ele se tornou. A exposição Solitude, para mim, antes de ser uma obra de arte, é uma obra humana e humanista, que relata o ser humano, as suas dores, fraquezas, a sua humildade e o seu amor pelo próximo, a sua fé… E isso faz-nos pensar em nós próprios, no que somos, no tanto que temos e tantas vezes achamos que é pouco. E pensamos sempre que merecemos mais, e mais, e sempre mais. A mim, fez-me pensar, questionar-me, fez-me até sentir-me egoísta por querer ou precisar de tantas coisas. É normal querer, o nosso meio e a nossa sociedade assim nos ensinaram, mas também devia ser normal dar, partilhar com os outros, dar aquilo que temos, dar o nosso tempo, que às vezes nem à nossa família damos, porque estamos embrenhados no nosso trabalho e nos afazeres da vida quotidiana.

Há quase dez anos que o Indi reside em Londres, local onde começou a “tirar fotos” e não a fotografar como o próprio diz, por influência de um amigo fotógrafo chamado Gru que lhe deu a primeira câmara. Foi fazendo alguns trabalhos com algumas modelos, e o “título de fotografo veio logo a seguir por sugestão de um amigo”, conta em tom de brincadeira. Ao verem o seu talento, os amigos sugeriram-lhe que enveredasse pela fotografia mais a sério.

Começou a investigar, a procurar aprender mais através da internet, no Youtube, em sites especializados etc, e foi aprendendo, sozinho, e a sua curiosidade e paixão fez dele um autodidata, um “selfmade”, refere. Os convites para trabalhos começaram a aparecer, tornando-se uma grande motivação para continuar.

Através da fotografia encontrou-se e descobriu uma razão para estar neste mundo.

Outro aspecto que mudou a sua vida e a sua forma de ver o ser humano foi trabalhar com pessoas que tem problemas de aprendizagem, muitos deles autistas, ajudando-as a criar capacidades para serem inseridas na sociedade e na vida activa. A dificuldade destas pessoas com quem trabalhou em comunicar, expressar os seus sentimentos assim como de entender os sentimentos dos outros foi um desafio. Para ser um melhor profissional fez vários cursos nesta área, especializando-se.

A viver em Londres, uma das cidades mais caras do mundo, a necessidade de fazer dinheiro e ter dinheiro lentamente foi-se sobrepondo a si próprio e um dia olhou para si e reparou que se tinha esquecido dele. O que queria, as suas aspirações, os seus sonhos… Essa fase coincidiu com a morte com cancro do seu amigo Gru, o mesmo que o levou a conhecer e a experimentar a fotografia pela primeira vez. Essa perda fez-lhe sentir a necessidade de viver, de partilhar. Apercebeu-se que já não estava com a sua família quase há dez anos, que os seus avôs estavam a envelhecer e ele não estava a fazer parte disso…

Após a morte do amigo, sentiu que precisava sair dali, mas tinha de cumprir as suas responsabilidades com a casa, despesas etc como qualquer pessoa. Para cumpri-las precisava de dinheiro e para isso pôs a sua casa a alugar, o que lhe deu mais margem de manobra financeira e liberdade de movimentos. Em primeiro lugar veio para Portugal ter com a família, depois foi para a Suíça visitar um grande amigo, e em seguida foi a França visitar o filho.

De volta a Londres, através de um amigo em comum conheceu um rapaz camaronês que estava a preparar-se para ir para os Camarões, Indi perguntou-lhe se podia ir com ele e assim começou a aventura da primeira viagem. Tratou do visto e foram. Esta primeira viagem a um país com uma realidade tão diferente abriu-lhe os olhos para o mundo, para o lado de lá, onde estão os outros que muitos de nós não queremos ver, porque assim não nos choca nem perturba o nosso sono. E sobretudo, não nos faz olhar para dentro de nós e ver o quão pouco fazemos pelos outros.

De volta a Londres passaram-se alguns meses até que voltou a partir, desta vez rumo ao Cambodja onde ficou um mês. Meses depois uma nova viagem levou-lhe de novo à Ásia por um período de dois meses, esteve no Vietname, Laos, Tailândia e Myanmar, local onde conheceu as pessoas mais afáveis que tem memória. A única viagem que fez de avião foi de Londres para o Cambodja, todas as outras viagens foram feitas de autocarro, outras a pé, muitas vezes através das densas florestas que existem nestes países. No total desta viagem fez cerca de 200km a pé pela selva entre vilas e lugares, quase sempre indicado pelos locais como se de guias turísticos se tratassem.

Foi nas suas viagens aos Camarões e depois ao Vietname, Laos, Tailândia e Myanmar que captou as fotografias que integram a exposição Solitude.

O nome escolhido, Solitude, quer representar as pessoas, os rostos, os silêncios, os sorrisos que ele captou. A maior parte das pessoas que vemos estão sozinhas. Mas ao mesmo tempo Solitude representa a vontade que tinha de estar sozinho, não triste, nem solitário, apenas sozinho, consigo próprio. E estava feliz…

Não se vê a voltar a viver em Londres, tenciona simplesmente viver pelo Mundo…

 

Uma nota muito especial:

Na inauguração da exposição estava presente Rosário Pires da Amnistia Internacional, a quem eu não pude deixar de perguntar qual era a sua opinião sobre o trabalho do Indi Nunez, e estas foram as suas palavras:

“Nota-se nas fotografias uma grande sensibilidade, há uma forte ligação entre o texto, o comentário das fotografias a própria fotografia. Há algumas fotografias que me sensibilizam mais do que outras, se bem que todas elas me tocam, mas aquelas que focam crianças tocam-me profundamente e há ali uma que é a partilha de comida, quando há tão pouca comida e um tacho tão velho e vê-se uma criança a dar o que tem a uma criança mais pequena e isso demonstra uma sensibilidade e uma solidariedade entre aqueles que têm tão pouco numa época em que se vive do consumismo eu achei aquilo fantástico.

A fotografia da árvore também referi ao João (Indi) porque é uma árvore que está grande, mas está completamente morta, não tem nada, mas está de pé. Está morta mas está lá. E ele conseguiu captar isso muito bem. De uma forma geral acho que há uma grande sensibilidade entre a pessoa que tira, que conseguiu apanhar os momentos certos e conseguiu pela imagem e pelo texto completar a fotografia e eu acho isso fantástico.”

Rosário Pires

(Amnistia Internacional Portugal)

 

Para quem ainda não foi ver esta exposição sugiro que o faça. Há sítios em que precisamos de estar e a fotografia tem esse dom, levarmos para sítios remotos sem sair do lugar. Esta patente até ao dia 11.

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Local:

Viveiros das Naus

Calçada do Galvã0 – Jardim Botânico da Ajuda

1300-011 Lisboa

 

Para contactar Indi Nunez:

www.indinunezphotography.com

indiprint@live.com

+447 490 961 545

 

 

With Love*

Tânia Sitoe

In the Closet… Keith & God G – Um encontro do verdadeiro Rap Português

Olá a todos!

Mais uma vez trago até vocês uma entrevista In the Closet by Bellucci Image Consulting.

Desta vez, não vamos falar de moda e imagem, mas sim de alma, escrita, música e os sentimentos e mensagens que se consegue transmitir através da música. Nesse aspecto, no rap ou hip-hop, como quiserem chamar vive o dom da palavra, e daí sairam mensagens muito fortes que mudaram mentalidades.

Estilo que sendo cada vez mais comum na nossa sociedade, começou à margem desta, como algo que era para ficar confinado aos guetos. Com o passar dos anos, essa música marginalizada e para muitos, marginalizante saltou dos bairros e chegou às principais ruas da cidade, acabando por entrar nas vivendas e condomínios fechados mais ilustres de Lisboa e do Porto, e por aí fora…

Num encontro de amigos, tive a oportunidade de conversar com duas pessoas que fizeram parte do primeiros movimentos do rap em Portugal, os rappers Keith B e God G, e partilho com vocês o que foi este momento em que revivemos o que ambos passaram, lutaram e abdicaram em prol daquilo que gostam, a música.

Keith B teve o primeiro contacto com o rap nos anos 90, no ano de 1992 mais precisamente, em Angola, quando começou a ouvir Black Company com o seu eterno it Não Sabe Nadar, Gabriel o Pensador etc, mas na altura não pensava em ser rapper, até pelo contrário, quando via rappers como Yannick ou o Afroman a passar achava-os estranhos, sobretudo pela roupa de usavam… keith1

Em 1997, quando veio para Portugal começou a ouvir o Álbum Filhos da Rua dos Black Company, Boss AC entre outros, e rap começou a fazer parte da sua vida de outra forma. Na altura os jovens que gostavam de rap foram criando grupos com os seus pares, e Keith não foi excepção, criando Aliança e depois os Profetas do Destino…

Para além de intérprete Keith B escreve as próprias letras que canta, excepto uma música nova que será lançada brevemente, resultado de uma parceria com um DJ, o que para ele foi um desafio.

A mudança para Londres, e depois para Manchester, onde viveu nos últimos anos, obrigou-o a dar muitos passos atrás na sua carreira de músico, uma vez que aqui em Portugal, o seu grupo já era conhecido. Não sendo dos mais falados, já tinham a sua legião de fãs e pessoas que reconheciam e seguiam o seu trabalho sobretudo no Barreiro, onde “ditavam as regras”, como o próprio refere.

Chegando a um país diferente tudo isso mudou. Por um lado, a realidade sendo diferente obrigou-o a concentrar-se mais no trabalho, a fim de se sustentar, mas também o objectivo de continuar a estudar e licenciar-se, objectivo que cumpriu na área de Gestão de Recursos Humanos.

Apesar das dificuldades que encontrou em Inglaterra, continuou a lutar por aquilo que ama, e conseguiu lançar o álbum Number 1. Levou para Angola, onde o promoveu de forma independente, conseguindo vender mais de 2 mil cópias.

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De volta a Inglaterra, pela primeira vez começou a escrever em inglês. O resultado foi a mixtape, Smooth Criminal, toda em inglês, à excepção de uma música que escreveu em português para mostrar as suas origens, e neste momento já atingiu cerca de 10 mil downloads. Reconhece que não está na boca do povo mas a “notícia” vai-se espalhando.

De volta a Portugal, sente-se mais maduro e no auge de si próprio. Não sente qualquer necessidade que lhe seja atribuído o rótulo de rapper, sente-se um músico, aberto aos vários estilos de música. Ao contrário do que acontecia quando era mais novo. Hoje, está aberto e sabe como cantar uma kizomba, ou acompanhar um fado. O rap vai estar sempre presente, mas sabe expressar-se noutras linguagens.

Pela música reconhece que já abdicou de muitas coisas na vida, como a paternidade que tem sido protelada sempre para mais tarde, os estudos, que foram sendo também adiados, e agora mais uma vez, coloca a sua carreira profissional na área de Gestão de Recursos Humanos na banca em stanby em prol da música.

 

Neste momento está completamente focado na música. Vai voltar à produção e está já a compor para o volume 2 da mixtape Smooth Criminal. Fora da esfera do rap, tem um projecto de música africana com kizombas, kuduro e trap music, que terá o título Barulho. Este trabalho terá numa vertente mais experimental, numa revelação da sua nova identidade como cidadão do mundo, que pretende transmitir o que lhe vai na alma através da música, seja ela que em estilo for…

God G tal como Keith começou a dar os primeiros passos no rap nos anos 90, mais precisamente em 1996, por intermédio de uns amigos do bairro, ainda em Angola. Começou por ouvir Gabriel o Pensador, assim como outros rappers que cantavam em português, e começou e interessar-se pelo rap de intervenção social, a vertente com a qual mais se identificou desde sempre.

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Mais tarde, veio viver para Portugal, para a zona de Odivelas, onde os novos amigos o introduziram no meio dos artistas de hip-hop português tais como Lancelot, Fundação, etc, decorria o ano de 1998.

Na altura dividia a sua vida entre a música, os estudos e o futebol, onde chegou a ser uma grande promessa, que não pode prosseguir devido às várias burocracias legais que surgiram.

Lançou a mixtape Construção Maciça que ultrapassou o normal alcance de uma mixtape e foi recebido como um álbum, muita gente ouviu e aplaudiu o seu trabalho. Foi fazendo várias participações em álbuns  de outros artistas como Lancelot, por exemplo, o que lhe deu muita visibilidade.

Com um estilo muito próprio faz questão de escrever as músicas que interpreta, ainda que também escreva  letras para outros artistas.

Confessa que já gastou muito dinheiro com o rap e que a falta apoios é uma grande limitação para os artistas portugueses. Neste momento, dedica-se ao trabalho, mas sabe que o rap nunca será uma porta fechada, como o próprio diz, “depende dos convites que eventualmente surjam”.

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Não querendo ser repetitivo, sente que já passou uma parte da sua mensagem, mas que muitas outras ainda estão por partilhar… Entretanto, não sente a necessidade de lançar álbuns constantemente, prefere esperar que algo relevante aconteça na sua vida ou no mundo e que o inspire a escrever novamente.

Poucos dias antes desta entrevista, God G tinha perdido um familiar próximo, uma pessoa importante na sua vida, e isso levou-o a começar a escrever o tema Cansado, “cansado de perder pessoas, cansado de perguntar por alguém e saber que está preso, cansado de muita coisa…” desabafa. Essa particularidade de escrever com o coração, ao contrário de muitos rappers que escrevem para fazer dinheiro, God G acredita que nunca ficará rico com a música, mas no fundo sabe que, nunca desistirá dela… e continuará a escrever “com a caneta ligada ao coração”…

Da minha parte resta-me agradecer este momento de partilha, que me fez reviver os meus anos de adolescência, que foram também bastante ligados ao hip-hop. Por outro lado, saber que ainda há quem lute para continuar a passar mensagens através da sua música deixa-me feliz, e faz-me acreditar que quando queremos, conseguimos o impossível…

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Agradecimentos:

Keith B

http://www.facebook.com/KEITHBTRG?fref=ts

Instagram: keithbtrg

 

God G

http://www.facebook.com/godg2675/?fref=ts

Instagram: godg_official

 

Oh! Brigadeiro – Oficina do Doce LX Factory pela cedência do espaço

http://www.facebook.com/oficinaohbrigadeiro/?fref=ts

Instagram: oh.brigadeiro

1º Aniversário da Steasy – Streetwear & Urban Clothing Manjuco Vie

Olá a todos!!

Foi no passado sábado dia 06 de Agosto que aconteceu a Festa do 1ª Aniversário da Steasy – Streetwear & Urban Clothing Manjuco Vie que se situa no Cacém, mesmo em frente à estação.

Já conhecendo a marca, foi um prazer participar neste evento e fazer parte da comemoração. Confesso que gosto muito da marca, e das peças que têm à venda no geral, entretanto as que despertam sempre mais a minha atenção são as peças da marca própria desenhadas pelo próprio Manjuco.

Apesar das suas criações, ele não se considera um designer, muito menos estilista, designações que considera “demasiado pesadas” para o descrever. A sua humildade como pessoa assim o “obriga”, mas na verdade, para mim Manjuco é sim um designer. Ele idealiza, desenha e faz os moldes das peças da marca Manjuco Vie, que têm um toque de surpreendente gosto e simplicidade, reflectindo perfeitamente a personalidade do seu criador. Manjuco inspira-se em outras marcas e sobretudo no que vê nas ruas, na moda de rua que tem ganho cada vez mais espaço na moda internacional.

A marca Steasy existe desde 2010, mas a loja física completou agora o seu primeiro aniversário. Pretende expandir e logo que possível abrir outra loja, mas quer fazer as coisas com calma e sobretudo manter a sustentabilidade da marca. Para este primeiro ano de abertura, de 0 a 10 avalia a performance da loja entre 6 e 7 e o objectivo é sempre subir como qualquer empreendedor, mas nesta fase considera mais importante manter o nível que tem conseguido e o que vier para a frente será o fruto desta sustentabilidade que neste momento quer preservar.

Apesar de ainda não ter um site, esse facto não impede a marca de vender para vários países, sobretudo para os PALOP, mas também para Espanha, Luxemburgo, Suíça, França etc. Não sendo uma loja online as encomendas são feitas através dos inúmeros meios de comunicação que temos actualmente disponíveis como o E-mail, Facebook e Instagram.

São várias as pessoas famosas que compram na Steasy, sobretudo artistas e desportistas, como os Força Suprema, Heldér Costa, Carlos Mané, William Carvalho ou Renato Sanches, que é uma das bandeiras da marca, e que inclusivamente esteve na loja na semana anterior.

Para quem gosta de streetwear e ainda não conhece a Steasy, como Consultora de Imagem, sugiro uma pesquisa na página do Facebook da marca, o que não dispensa uma visita à loja porque para além de serem super bem recebidos pelo Manjuco tenho a certeza que não vão conseguir sair de lá sem comprar alguma coisa.

Partilho com vocês algumas fotos da loja, das colecções e das pessoas que fizeram questão de estar presentes neste dia especial.

 

With Love*

Tânia Sitoe

 

Contactos da Loja:

steasystore@gmail.com

www.facebook.com/steasystore

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Rua Elias Garcia N35, 2735-261 Agualva-Cacém
(em frente à estação CP de Agualva-Cacém)