In the Closet – Entrevistas by Bellucci!

Esta página é dedicada a todas as entrevistas feitas pela Bellucci. Neste espaço pretendemos partilhar conhecimentos, experiências e vivências dos nossos convidados! Serão conversas informais e honestas com pessoas super interessantes!! Espero que gostem!!

 

#1 Entrevista

 

Barbearia Clássica Belarmino por Miguel Leão

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Estamos em Lisboa, numa travessa a poucos metros da Avenida da Liberdade mais precisamente na Travessa do Fala Só. Na sua barbearia clássica – Belarmino – Miguel Leão recebeu-nos para uma conversa descontraída e honesta sobre o seu mais recente protejo. Quando entramos o ambiente reporta-nos para a Lisboa antiga e clássica de homens de fato com o jornal em baixo do braço, mas reparando bem vemos a modernidade e sofisticação dos detalhes que os dias de hoje nos permitem, seja pela música ambiente, ou pelas revistas dedicadas maioritariamente ao público masculino sobre os mais variados temas.

_DSC0418O espaço é aconchegante e a sua decoração foi pensada ao pormenor, artigos com história decoram a barbearia, dando a quem entra uma sensação de estar a fazer parte de algo, a experienciar um tempo que nunca viveu, ou a recordar momentos da infância com os seus pais e avós.

Antes de mais quis saber o porque do nome Belarmino e qual o seu significado para o Miguel. Fiquei a saber que Belarmino é uma personagem que o acompanha a muitos anos, desde o tempo em que o mesmo começou a praticar boxe.

Miguel Leão pratica boxe desde 1995, algo que influenciou bastante a sua vida. Um dia, numa visita à Feira da Ladra descobriu uma cassete de vídeo do filme Belarmino, uma película dos anos 60 que retrata a história de vida do pugilista português, inspirado pela mesma começou a praticar a modalidade.

Praticar boxe acabou por direccionar também a sua própria vida e acabou por mudar um pouco o rumo da mesma. Vindo de um bairro de certa forma, problemático, reconhece que andava um bocado desviado e quando foi para o boxe fê-lo pelos motivos errados. Entretanto as pessoas que lá encontrou deram-lhe uma perspectiva diferente do que é a vida.

O nome _DSC0381Belarmino para o seu espaço acaba por ser uma homenagem à modalidade e à própria personagem que tanto aprecia. “Ele foi um sujeito que entrou para o boxe pela via do acaso, mas que foi descoberto um grande talento nele, na altura, nos anos 50 as pessoas que iam para o boxe, no geral, faziam-no para conseguir um dinheiro extra e poder alimentar a família porque eram tempos difíceis e não pelo lado profissional, mas veio-se a saber que ele tinha um talento muito grande para o boxe e isso e muito importante para mim” refere Miguel.

_DSC0412As décadas de 50/60 acabam também por o influenciar e inspirar bastante a nível de cortes de cabelo. Ou seja, acaba por haver uma série de ligações que o levaram ao nome escolhido, sendo também uma homenagem à própria cidade de Lisboa, porque o pugilista era Lisboeta e o seu objectivo era criar uma coisa 100% genuína e Portuguesa e tudo se tornou óbvio. Desde os dois anos de idade que ia religiosamente todos os meses com o pai a uma barbearia no Carmo, e aquilo acabou por se transformar num ritual de homens, dele, do irmão e do pai. Inconscientemente começou a fazer parte do Miguel, de todo o seu universo, e sem se aperceber o gosto pela barbearia começou a crescer dentro dele. Era o mundo masculino, dos adultos, onde havia revistas de mulheres mas não haviam mulheres e tudo aquilo tornava-se fascinante_DSC0401.

Entretanto, Miguel seguiu os seus estudos normais, enquanto continuava a fazer barbearia apenas como hobbie com amigos, sem nunca pensar que poderia fazer desse gosto uma profissão. A verdade é que a dada altura da sua vida, a chegar à casa dos 30 anos percebeu que era uma pessoa completamente infeliz. Trabalhava na área financeira que considera um mundo muito cinzento que em nada tem a ver consigo. Como o próprio diz “é a vida que nos empurra, e aos poucos, e às vezes nem nos apercebemos do caminho que estamos a seguir, e um dia dei por mim como responsável de um departamento de um companhia aérea em Portugal, com uma série de pessoas a meu cargo, mas super infeliz.”

Foi aí que parou para pensar e achou que estava na altura de mudar, ainda ia a tempo de mudar. “E então pensei: o que é que me faz feliz?” Hoje reconhece que era claro, estava mesmo ali, ao seu lado, acompanhou-o a vida toda; “é isso, uma barbearia”. Nessa altura era preciso tirar uma licença profissional, para poder ser barbeiro em Portugal, assim fez, começou a trabalhar e nunca mais parou.

_DSC0358Na altura em que comecei a seguir o trabalho do Miguel, ele estava em Oslo, falemos um pouco sobre isso. Essa oportunidade surgiu na sequência do seu trabalho na casa onde estava a trabalhar na altura, uma barbearia muito emblemática de Lisboa, mais propriamente no Chiado. Um dia, três noruegueses foram à barbearia, conheceram-no e fizeram-lhe o convite para abrir a primeira barbearia clássica em Oslo dos últimos 40 anos. Miguel achou o convite muito interessante e aceitou, definiram então o tempo limite de um ano.

O protejo correu super bem, desenvolveu-se muito para além daquilo que era esperado. De uma barbearia, que era a o plano original, passaram a ter três barbearias e, de dois barbeiros passaram a ter 10. Foi tudo muito rápido. Durante o tempo que esteve em Oslo, a mulher e as filhas ficaram em Portugal, reconhece que essa parte custou bastante, mas que o apoio da família foi fundamental para se conseguir manter lá o tempo que foi necessário.

_DSC0383O período que esteve em Oslo coincidiu com o ressurgimento da moda das barbas. Apesar de achar que essa moda teve a sua influência, não considera determinante no mercado escandinavo, pois os nórdicos já tinham uma cultura de barba muito forte, de décadas, eles só não sabiam e não tinham ninguém que soubesse tratar delas. Por esse motivo esses homens acabavam por ir aos salões unissexo onde as mulheres e as mães iam, e não sabiam explicar o que queriam e assim que perceberam que existiam profissionais competentes e especializados em barba e cabelo para homens o protejo cresceu de uma forma gigantesca. Conta que “foi muito bom a nível profissional, foi muito interessante e abriu-me o olhar sobre todo o mundo desta profissão, deu-me outras perspectivas, foi muito interessante trabalhar lá fora…”

Tem a noção que foi uma experiência que o inspirou bastante, que ganhou muito conhecimento e que sem dúvida o ajudou a criar a sua própria barbearia aqui em Lisboa.

Sendo possivelmente a barbearia mais discreta de Lisboa, ao contrário de outras que estão em locais de passagem como no Chiado por exemplo, quem aqui vem, vem porque conhece o seu trabalho, e faz questão de aqui vir. Trabalhando apenas por marcação, os seus clientes não são clientes de passagem e para colmatar essa questão e conseguir atender os clientes que venham uma primeira vez por acaso, contratou recentemente o Chico.

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A localização pretende proporcionar uma certa descrição, um momento intimista para o cliente, e considera o espaço que encontrou perfeito para isso “é um pequeno oásis nesta cidade movimentada” diz Miguel. Sendo uma casa aberta há poucos meses, a agenda está sempre cheia. Os clientes que tem, fazem parte de uma carteira de clientes que vem construindo ao longo de muitos anos, com muito esforço e dedicação com o cliente na cadeira, que o leva a falar dele e do seu trabalho ao seu círculo de amigos e assim consegue ter clientes muito especiais. Da sua parte faz tudo por merecer essa fidelidade.

Depois de ter passado por uma área tão específica como a área financeira, onde não encontrou a realização pessoal que procurava, “aquela porta aberta é um sonho tornado realidade”. Relembra que é um protejo já idealizado a alguns anos, mas que por circunstâncias da vida foi ficando para trás, até agora! Ao contrário de muitas pessoas sente um prazer enorme em ir trabalhar todos os dias. O próprio diz que “eu sei que pouca gente consegue ir para o trabalho com um sorriso no rosto e fazer aquilo que gosta e eu sei que felizmente consigo ter essa sorte. Eu adoro vir para aqui, adoro estar aqui, a casa ainda é muito jovem, mas eu acho que tem tudo para crescer e para se criar aqui um ambiente familiar, um ponto de encontro de amigos, que é isso que eu quero, não quero que seja um espaço frio…”

_DSC0433Eu própria já presenciei alguns clientes e amigos que por vezes passam lá apenas para cumprimentar, conversar um bocado, sem qualquer intenção de arranjar o cabelo ou a barba. E nesse aspecto, percebe-se que Miguel conseguiu fazer do seu espaço a dita “extensão da sala de estar” que desejava. A Barbearia Belarmino funciona assim tal como o antigo barbeiro tradicional português cujos espaços eram um ponto de encontro, onde as pessoas iam para ler o jornal, saber notícias do bairro e conversar sobre o futebol ou a política.

Tem a noção que a vertente social das barbearias nunca foi devidamente valorizada, mas a verdade é que grandes ideologias e correntes nasceram e cresceram dentro de barbearias em Portugal que eram espaços reservados para homens e onde as pessoas podiam conversar de uma forma protegida daquilo que não se podia falar fora daquelas portas.

Ao contrário das barbearias desse tempo, nesta as mulheres podem entrar, e como o próprio diz “as mulheres são sempre bem-vindas”. Por outro lado tem consciência que quando os homens estão numa atmosfera só de homens há certos temas, certas conversas que se têm que são completamente diferentes, que podem ser únicas, o que gera uma grande cumplicidade entre ele e os clientes que assim se sintam à vontade. Para ele e o para o Chico, o rapaz que agora trabalha com ele “o que é falado aqui na cadeira fica na cadeira. O cliente quando sente isso, é muito forte e muito especial para mim” refere Miguel, “quase como um acordo de cavalheiros”. Assim como há pessoas que se sentam na cadeira e não falam nada, é raro mas acontece, existem aquelas que vão para desabafar, e sentindo que a pessoa precisa disso acabam por funcionar um bocado como psicólogos, nem que seja para ouvir, por vezes situações ou problemas que as pessoas não conseguem falar com amigos mais próximos…

_DSC0376Apesar de muito feliz com tudo o que já alcançou até aqui, é peremptório em dizer que o protejo Belarmino não está terminado. Sendo um natural insatisfeito é possível que nunca chegue ao fim. A barbearia ainda está a dar os primeiros passos e ainda tem muito para andar. Tem imensas ideias e projectos que quer realizar no espaço, dinamizando-o, por exemplo transformá-lo numa galeria de arte ou servindo de fundo à gravação telediscos. É decido em dizer que “quero fazer uma série de coisas aqui. A barbearia é um sítio para os clientes que cá vêm trazerem ideias, projectos, seja o que for, portanto, nunca tem fim.”

Quanto ao espaço físico, a seu tempo também gostaria de ter um espaço maior, com maior capacidade. Outro objectivo é abrir uma casa no Porto, cidade que também lhe diz muito. Mas como o próprio diz “a seu tempo”.

Agrada-lhe estar a crescer de uma forma sustentada, e não quer nunca perder esse foco.

_DSC0350A barbearia foi decorada com uma série de objectos, maioritariamente de época. Apesar de todos terem uma história e serem especiais, questionei se havia algum objecto que se destacasse dos outros, e ele disse que sim, uma nota de €5 oferecida pelo avô, e contou-me a historia: “aquela nota emoldurada foi oferecida pelo meu avô pelo primeiro corte de cabelo que eu lhe fiz e ele pagou-me com aquela nota de €5, eu não queria dinheiro nenhum… É assim, o meu avô é uma pessoa que tem duas carteiras do bolso, uma carteira com moedas pretas e tem outra com notas, e sempre que nós lhe pedimos para ele pagar alguma coisa ele mostra a carteira das moedas pretas, quer dizer que não tem dinheiro, ele não é burro, é o forreta-mor. Nesse dia ele disse-me que não tinha dinheiro para pagar e eu disse que não queria nada. Depois quando estava a limpar o material ele veio com aquela nota de €5 e eu achei muito estranho porque ele nunca dá dinheiro a ninguém. Eu aceitei e pensei para mim mesmo que nunca iria gastar aquela nota, era uma situação única o meu avô dar dinheiro a alguém, então guardei a nota. Mais tarde vim a saber que foi a minha avó que lhe esteve a picar o miolo para ele me dar alguma coisa. E ele forçado pela minha avó deu-me aquela nota.” Conta-me com um certo saudosismo.

Aquela nota e as suas primeiras luvas de boxe, também ali penduradas são os objectos mais importantes que tem expostos na sua barbearia.

Da minha parte confesso que esta entrevista deu-me imenso prazer fazer, pela pessoa que o Miguel é, pelo trabalho e dedicação que vemos em cada pormenor e porque é impossível não gostar de estar ali onde eu e a Joana fomos tão bem recebidas.

A todos os homens aconselho uma visita ao Belarmino, tenho a certeza que vão apreciar o serviço e o atendimento.

 

Contacto para marcações:

214 023 337

Morada:

Travessa do Fala Só, 15 E Lisboa

 

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Agradecimento Especial:

Miguel Leão

 

Direcção e Produção Fotográfica:

Joana Alexandre

Portefólio disponível em: https://www.facebook.com/thewandererheart/

 


 

#2 Entrevista

Diogo Piçarra

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Olá a todos!!!

No âmbito do lançamento do projecto solidário da Rádio Comercial e, da sua Plataforma Solidária Eu Ajudo: que o disco “Passa ao Outro e Não ao Mesmo”!, que esta entrevista foi gentilmente cedida pelo Diogo Piçarra.

Este projecto conta com a participação de David Fonseca, Diogo Piçarra, Black Mamba, ÁTOA, Dengaz, Márcia, João Só, Amor Electro, AGIR, HMB e D.A.M.A, numa espécie de passa-a-palavra de 11 canções inéditas com uma regra: a última frase de cada música é a primeira frase da música seguinte.

Na entrevista tivemos a oportunidade de falar sobre o projecto em si, o quão especial e significativo foi para o Diogo, mas também não podíamos deixar de falar um pouco sobre o seu percurso musical, que tem sido recheado de sucessos.

De personalidade forte e sabendo exactamente o que pretendia criar, foi ao contrário de alguns dos participantes de concursos musicais tais como o Ídolos, The Voice e outros, Diogo não teve pressa em lançar rapidamente um single, ou um álbum para aproveitar enquanto estava nas luzes da ribalta. Fez o oposto disso e, ao longo dos 3 anos que esteve afastado do mundo mediático, aproveitou e foi para Londres estudar. Quando voltou dedicou-se a trabalhar naquelas que viriam a ser as músicas do seu primeiro Álbum “Espelho”, quase todas escritas e produzidas por ele.

Diogo conseguiu colocar naquelas músicas muito de si, da sua estética e musicalidade, o que conferiu ao seu primeiro álbum o Galardão de Ouro.

Foi hoje dia 12 de Julho, terça-feira, que Diogo Piçarra lançou o novo single inédito, “Dialeto”. Com letra e música da sua autoria, o tema foi produzido pelos Karetus e marca o início de um novo ciclo na sua carreira.

O novo álbum será lançado em 2017 e conta com produtores como Fred e Agir.

A Música chama-se “Dialeto” e podes já ver o novo videoclipe em https://www.youtube.co/watch?v=XUgoCqbVt5IV

Não deixes de ver a entrevista do Blog by Bellucci em parceria com a Bantumen e descobre um pouco mais sobre este artista que para além de ser super talentoso é super simpático e recebeu-nos tão bem.

 

Agradecimentos Especiais:

Diogo Piçarra

Sofia Venâncio (Universal Music Portugal)

Bantumen

 

With Love*

Tânia Sitoe

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